Apresentação
Caminhos
Maus tempos para a subjetividade.
Tempos em que a tristeza e a angústia são reduzidas a um balanço de neurotransmissores, supostamente controlado por gadgets químicos, cujo resultado é o abobalhamento e a inibição.
_Maus tempos para a subjetividade.
Tempos em que a previsibilidade e o termo médio, homogeneizante e simplificador, são bens buscados em contraponto ao surpreendente, inopinado e original das articulações significantes.
_Maus tempos para a subjetividade.
Tempos em que as quinquilharias ganham a condição de objeto/fetiche, oferecidos sobre a ara, à glória da entidade máxima animista: o mercado.
Os tempos nunca foram risonhos para a psicanálise. Mas seu vigor se mede pela resistência que suscita. Tanto maior, mais encontra a psicanálise seu lugar e função no trânsito e escoadouro do subjetivo.
_Bons tempos para a subjetividade.
Nesse sentido, esta publicação não é apenas registro de nossas atividades, mas ambiente de circulação e debate para as implicações que as intimidades do desejo com o significante impõem à condição humana.
A REVISTA VEREDAS chega à décima quinta edição renovando sua importância e valor fundante para o Traço Freudiano Veredas Lacanianas Escola de Psicanálise. Como previsto, retomamos seu feitio inicial, na estrutura e disposição, com sessões de resenhas, artigos, entrevistas e mais, superando a condição de ata de nossa Jornada de Estudos. Como resultado, o produzido terá sido tanto mais criativo, quanto nele tenhamos (en)caminhado, pela vereda simbólica, o que é da ordem da subjetividade.
Pedro Leonardo de Lucena Rodrigues
Traço, abril de 2010.
Nota editorial da Revista Veredas, Recife, n.15, Ano 17, 2010.