Veredas Mitológicas
Veredas Mitológicas reiniciou sua atividade, em 2009, com a leitura crítica do Fausto, de Goethe. Essa Obra, segundo Haroldo de Campos, no seu Deus e o Diabo no Fausto de Goethe, de fato, desborda. Desborda dos marcos tanto do Pré-Romantismo do Sturm und Drang, como das convenções classicizantes. Trata-se de um poema enciclopédico. Fausto gira em torno de um pacto diabólico feito entre dois personagens, Fausto e Mefistófeles. Aí encontramos toda a história da humanidade, que vai desde a Antiguidade até à época moderna.
Carlos Roberto C. dos Santos
GRUPO DE LEITURA E DEBATE VEREDAS MITOLÓGICAS
(quarta-feira, de 17:00 às 18:30)
O percurso de uma Escola de Psicanálise que emerge de uma Instituição composta de Psicanalistas foi contemplado por Jacques Lacan quando indicou a ligação do Simbólico com a perspectiva dialética estruturada na linguagem. No entanto, Lacan também mostrou que a clínica do psicanalítico abrange a inércia dessa dialética, a qual se encontra no modo psicótico de lidar com a linguagem. Isso pode ser visto no Seminário 3, na lição de 23/11/1955, quando afirmou sobre os fenômenos elementares, como espaço estrutural, haver um núcleo de inércia dialética, o qual é mantido pela suspensão dos efeitos da denegação relacionados com a ação forclusiva.
Além de os fenômenos elementares mostrarem essa inércia na dialética, Lacan declarou a importância do lugar do mítico. No Seminário 17, aponta que o mito somente pode ser considerado além do limite que a dialética do Simbólico não alcança. Nesse caso, quando uma Escola de Lacan acolhe o trabalho com o mítico, dá-se a interface com a Clínica da Psicose, cujo lugar na formação do psicanalista é situado no fundamento da escuta do psicanalítico.
Para a instituição que abriga a Escola de Psicanálise, o trabalho com o mítico em interface com a Clínica da Psicose é crucial, porque edifica um constante foco no lidar com o poder constituinte e seu valor dialético. Com isso, a formalização sintomática da neurose, que tira proveito da ação forclusiva por meio do eixo imaginário, mesmo ao traçar caminhos diferentes dos da psicose, aclimata a relação com às exigências da reserva fálica ( - φ ). Assim, a castração é dimensionada pela forma como se consegue viver no processo de conciliação grupal, excluindo sua verdadeira ação em relação ao Outro.
No contexto da formação do psicanalista, cuja dimensão é expandida pelo autorizar-se, o desígnio da dialética do Simbólico é abrangido por Veredas Mitológicas. Enfim, ao lado do encaminhamento temático de Psicanálise de Criança e de O feminino (a que dou o nome de Esfíngico), o mítico abre caminhos para que a Instituição de Psicanalistas possa tratar da formação, qualificada pelo psicanalítico, no contexto fundamentado pela Escola de Lacan.