Escrituras II Traços da Oficina

Lançamento Escrituras II - Traços da Oficina

Lançamento Escrituras II – Traços da Oficina

O lançamento de Escrituras II Traços da Oficina foi uma grande festa! Muitos convidados, muita música, comes e bebes fartos. Mais importante ainda, a alegria de todos com o livro,  a festa,  a vida. E como cantaram! Os cantores surgem aos montes após algumas taças de vinho ou doses de uísque. E surgem, também, mesmo sem o amparo etílico pela alegria. E todos estavam alegres.  Cantei, cantei, jamais cantei tão lindo assim. Todos acreditavam estar cantando lindo, porque a alegria é linda! A tristeza é feia. E todos estavam alegres, muito alegres

Alguns comentários sobre a festa dos viageiros :

Realmente, Lourdinha, tudo quanto se disser do lançamento da Antologia, é pouco. Além do ambiente físico que é muito agradável – um hiato neste mundo barulhento – o livro ficou, no meu entender, um dos mais belos que já vi. Sóbrio, distinto e bem organizado. (Djanira Silva)

Professora! Que festa legal, alegria que o Traço faz desde seus primórdios. Gente bonita, contente, o Natal chegou e a fraternidade se espalhou, foi uma feliz festança.Eu e Maria Enilda saímos pouco minutos antes da meia noite, não perdemos nenhum sapato, mas a vontade era de continuar até o sol raiar.A aritmética não é uma ciência exata, escapou dos cálculos a travessia do prazer muito bem vivido com a música, boa comida, bebida farta, conversas, beijos, sorrisos e abraços, participados por todos nós.Salve o Traço e a Oficina!!!A noite de Santa Luzia, padroeira dos cegos estava muito estrelada! (Everaldo Júnior)

Uma noite marcada por abraços. Valeu, Lourdinha! (Teresa Sales)

… a editoração, a capa. as intercaladas, tudo ficou extremamente bonito e muito elegante, como disse meu filho. Parabéns a todos os que trabalharam com afinco, em especial a Lourdinha,  Adelaide que, pela fala de Lourdinha, foi seu braço direito, e a César por suas inúmeras viagens de Aldeia à editora, fazendo as revisões. Não estou a par de quem mais tenha se emprenhado, por isto peço desculpas por não citá-los. Parabéns a todos os autores que pela realização do sonho de cada um, de ver sua escrita impressa, publicada e divulgada.Espero que a realização tenha estado a altura do sonho de cada um de vocês e que mais e mais obras palmilhem seus caminhos. (Ângela Cysneiros)

O encontro para lançamento do Escrituras II foi ótimo. Deu tudo certo.(Paulo Tadeu)

A festa foi ótima. Uma meia duzia saiu, na vassoura, as 4 da matina. Farra das boas.Quero registrar o agradecimento que lhe fiz pessoalmente. O livro está lindo, super elogiado e você está de parabéns! Estou feliz em ter participado dele, em ter me encontrado nos Traços, e em ter encontrado você. (Ana Catarina Mousinho)

A festa foi ótima, todos animados e soube que terminou tarde (ou cedo, dependendo do referencial).  (Rodrigo Passarelli)

Para encerrar o capítulo Escrituras II Traços da Oficina, deixo registrado no blog o prefácio:

Tecendo Palavras

Lourdes Rodrigues

E assim se passaram oito anos. Quase uma década de viagens. Longas, curtas, tensas, densas, leves. No camarim de navegação, cartas náuticas cheias de rabiscos que refazem rotas, mudam roteiro. Dos primeiros quatro anos, deixamos registros em Escrituras, publicado em 2009. Trilhas dos últimos quatro serão deixadas aqui, em Escrituras II – Traços de Oficina.

Alguns viageiros navegam desde o começo. Outros aportaram, deixando marcas da sua passagem em Escrituras II. À nossa espera nos portos em que atracamos muitos amantes da aventura literária, todos recebidos com guirlandas de flores em volta do pescoço pelos navegantes. Sempre uma grande festa a chegada de outro companheiro.

O que leva diferentes seres, de formação diversa a se reunir para tão longa viagem? Não é por causa da Carta que vamos usar, porque ela está sempre sendo redesenhada e muitos nem a procuram e já se lançam ao mar, destemidos e confiantes. Acredito que velhos e novos marujos estão movidos pelos mistérios dos mares das palavras, pelo desejo de desvendar alguns significantes da criação literária como já o dissemos em Escrituras. Guardo a esperança de que essa atração pelos seus encantos alimente a chama do desejo de criação para que grafem sempre mapas para outros navegadores seguirem. Assim, no rastro desse desejo, leitura e escrita formarão binômio inseparável, quase monogâmico.

Desde tempos remotos, todavia, o idílio entre leitura e escrita nem sempre acabou em casamento. E é sempre a escrita, a excluída, a que suporta maior rejeição. Talvez, quem sabe, por acusarem-na de ser amante passional, extremista, cuja ambivalência vai do amor ao ódio, ora transportando aquele que sucumbe ao seu fascínio ao céu, ora às profundezas do inferno. Enquanto a leitura é desprendida, nada pedindo em troca, além da sua atenção.

Eu diria que a leitura se presta aos diversos quereres. Àqueles voltados para o prazer da deusa Volúpia, desejo plenamente satisfeito na história que é contada, ela não se faz de rogada, revela apenas a sua face exterior, a ponta do iceberg, no dizer de Hemingway. Para os mais exigentes, deixa-se conhecer em sua plenitude, desnuda-se, revela-se, permite que perscrutem os seus silêncios, as suas riquezas submersas, as suas vozes e curvas. Torna-se um caleidoscópio, quanto mais se olha mais se vê, mais se descobre. E é desse tipo de leitura que muitas vezes advém o desejo de escrever. Por mais assustadora que seja tal perspectiva, ela promove a escavação das fundações do binômio ler-escrever e, paulatinamente, a desconstrução das resistências, dos receios. Alicerce preparado, resistência vencida, cabe ao sujeito criador soltar as últimas amarras e iniciar a sua árdua e por vezes temida tarefa.

A capa deste livro, obra do viageiro-escritor-pintor Paulo Tadeu Gusmão, anuncia de forma vigorosa o ambiente da criação literária. Não vou analisar o quadro do ponto de vista da sua beleza plástica, embora muito me comova. Das linhas que organizam as suas figuras, não são as leis da perspectiva ou o seu movimento interno que neste momento me chamam a atenção. Tampouco suas belas cores, matizes, gradações, contrastes e brilhos. Quero falar do quanto ele expressa do cenário caótico do fazer literário: papéis soltos por cima da mesa, espalhados pelo chão, cadernetas de anotações dispersas sobre o móvel, borracha e lápis abandonados no assoalho, cortinas descerradas, deixando luz e paisagem atravessarem janelas envidraçadas para virem em socorro à inspiração do criador que parece ter saído às pressas, quem sabe devastado pela angústia das palavras que não chegavam.  À esquerda da cadeira vazia e luminosa, em cima de uma mesinha, o livro que ali se encontra bem poderia ser um pequeno dicionário, este fiel e inseparável companheiro do fazedor de palavras.

Escrituras II – Traços de Oficina traz amostra (textos selecionados) da criação vibrante e cheia de maestria dos escritores da Oficina de Criação Literária Clarice Lispector nos últimos quatro anos. Eles foram pródigos em suas escritas criativas. Sem dúvida, tamanha fartura se deve às capacidades e talentos de cada um, contudo, não se pode deixar de reconhecer, como fundamental, a passagem dialética das leituras amorosas à escrita, realizada por aqueles autores. No quadriênio considerado (2010-2013), verdadeiro celeiro literário foi edificado na Oficina pelas leituras críticas de grandes obras: Madame Bovary, de Gustave Flaubert, Viagem Sentimental, de Laurence Sterne, Horla, de Guy de Maupassant, A Praça do Diamante, de Mercè Rodoreda, A Varanda de Frangipanni, de Mia Couto, Vidas Secas, de Graciliano Ramos, Essa Terra, de Antonio Torres, Boquitas Pintadas, de Manuel Puig,  Bartleby, o escrivão, de Herman Melville, Édipo Rei e Édipo em Colono, de Sófocles,  Memórias do Subsolo, de Fiódor Dostóievski. Além de contos de Guimarães Rosa, Clarice Lispector, Luís Borges, Kafka, Katherine Mansfield, Arthur Schnitzler, ETA Hoffmann, Miguel Torga, Anton Tchekhov, Somerset Maugham, entre muitos outros.

Este livro traz influências dessas leituras e de tantas outras feitas ao longo da vida de seus autores, experiências que contribuíram para o encontro do próprio estilo, porque o eu do sujeito é falado a partir do lugar do Outro. São as leituras, as vivências e observações de cada um que liberam o fluxo criativo e fazem correr a pena.

Para ordenar conteúdos de temáticas tão heterogêneas recorri a Clarice Lispector, mais uma vez, e sob os auspícios de algumas epígrafes selecionadas, reuni textos que abrem portas para os campos tecidos pelos seus significantes. A divisão permite que o leitor se mexa à vontade em sua leitura, movido pelas veredas insinuadas nas epígrafes.

Escrituras II – Traços de Oficina é um livro predominantemente de contos, narrados na primeira ou terceira pessoa, monólogo direto ou monólogo interior, discurso direto, indireto e indireto livre, fluxos de consciência, narrativas lineares ou circulares, narradores intrusos, oniscientes ou neutros, personagens simples, personagens complexos entre várias outras técnicas literárias. São recursos que aprimoram a estética da escrita e separam o contador de histórias do escritor criativo e literário. Além dos contos, o livro traz excelentes crônicas, o que nos permite questionar onde termina a crônica e começa o conto. Às vezes a linha divisória é tão tênue que se é obrigado a recorrer a velhos cânones literários para tentar identificá-los. Na realidade, pouco importa essa separação, o que interessa, de fato, é a sua qualidade literária, e neste livro, ela é muito boa. Entre os viageiros estão excelentes cronistas e as suas escritas serão sempre incentivadas.

Aos leitores desejo que se lancem ao mar para fazerem as suas viagens e que elas sejam tão prazerosas quanto as nossas têm sido ao longo desses oito anos, em particular dos últimos quatro, cujas palavras tecidas estão neste livro que ora tenho o prazer de lhes apresentar.

Jaboatão dos Guararapes, 21 de setembro de 2013

 

2 ideias sobre “Escrituras II Traços da Oficina

  1. Estou finalizando minha Leitura do livro Escrituras II, no qual fui surpreendido de forma positiva com a obra destes belíssimos autores que de forma simples e objetiva conseguiram retratar e desdobrar a partir dos textos de Clarice Lispector adoráveis contos e crônicas. Parabéns Lourdinha pela competência e pelo presente que nós leitores recebemos.

    Lulinha

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