Grandes Poemas

A Folha de São Paulo, em 2000, escolheu os 100 melhores poemas internacionais do século xx. Na medida do possível, tentaremos postar alguns desses poemas aqui no blog. A idéia surgiu quando recebi de nossa colega Vania Campelo um poema de Konstantinos  Kaváfis, À Espera dos Bárbaros, e encantada com a qualidade do poema fui pesquisar um pouco sobre o seu autor e descobri no blog Mar Ocidental que o poema foi escolhido em 8º lugar, entre os 100 melhores da Folha. Sobre Kostantinos Kaváfis, o mais importante poeta grego deste século, nasceu em Alexandria, no Egito, e morou na Inglaterra. Em A Espera dos Bárbaros”, poema ao mesmo tempo político e ontológico, aparece a duração de um espaço em que nada se faz porque os bárbaros atacarão.”Poemas”, trad. de José Paulo Paes, Nova Fronteira.

A lista traz grandes nomes. Em primeiro lugar, T.S. Eliot, com A Terra Desolada (The Wast Land),  e em segundo, Fernando Pessoa com Tabacaria . Os dois poetas tiveram outros poemas escolhidos.

 

images[1]À ESPERA DOS BÁRBAROS

Konstantinos Kaváfis

 

O que esperamos na ágora reunidos?

É que os bárbaros chegam hoje.

Por que tanta apatia no senado?

Os senadores não legislam mais?

 

É que os bárbaros chegam hoje.

Que leis hão de fazer os senadores?

Os bárbaros que chegam as farão.

Por que o imperador se ergueu tão cedo

e de coroa solene se assentou

em seu trono, à porta magna da cidade?

 

É que os bárbaros chegam hoje.

O nosso imperador conta saudar

o chefe deles.Tem pronto para dar-lhe

um pergaminho no qual estão escritos

muitos nomes e títulos.

 

Por que hoje os dois cônsules e os pretores

usam togas de púrpura, bordadas,

e pulseiras com grandes ametistas

e anéis com tais brilhantes e esmeraldas?

Por que hoje empunham bastões tão preciosos

de ouro e prata finamente cravejados?

 

É que os bárbaros chegam hoje,

tais coisas os deslumbram.

 

Por que não vêm os dignos oradores

derramar o seu verbo como sempre?

 

É que os bárbaros chegam hoje

e aborrecem arengas, eloqüências.

 

Por que subitamente esta inquietude?

(Que seriedade nas fisionomias!)

Por que tão rápido as ruas se esvaziam

e todos voltam para casa preocupados?

 

Porque é já noite, os bárbaros não vêm

e gente recém-chegada das fronteiras

diz que não há mais bárbaros.

 

Sem bárbaros o que será de nós?

Ah! eles eram uma solução.

 

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