Guarda-roupa

Fernando Gusmão

A Cruz dos Sete Andares

No verão, ao anoitecer, quando o calor é menos intenso, agradava-me fazer longas caminhadas pelas fraldas da Borborema, na companhia do meu tio Lucas. Não havia rocha, ruína, olho d’água ou vale solitário que ele não soubesse de alguma história estrambótica para contar. Narrativas envolvendo viageiros e tesouros, pois nunca houve alguém tão afeito para esbanjar conteúdos de cofres escondidos e de tesouros perdidos como tio Lucas, tio-avô, irmão do pai do meu pai. No fim da vida, ficou conhecido em Campina Grande pelo nome de Guarda-Roupa por andar sempre vestido com muitas roupas.

— O que é aquela cruz sobre uma pilha de pedras, em direção à estreiteza da ravina, meu tio?

— Ah! Não é nada, apenas um tropeiro, meu conhecido, que foi assassinado, há alguns anos.

— Se entendo, meu tio, havia assaltantes assassinos quase na entrada de Campina?

Essa conversa aconteceu no dia em que tínhamos partido para uma daquelas longas caminhadas e subíamos um caminho rampeado, tio Lucas mais comunicativo que de costume, quando vimos uma enorme cruz meio arruinada, ao pé de umbuzeiros e gameleiras.

— Esta é a Cruz dos Sete Andares!

E mostrou as pedras ao pé do lenho, a marca meio apagada, que parecia o INRI, mas que, apurando a vista, vi que era algo como 51RN, gravada a fogo e desbotada. Falou em tom baixo que ali morava uma assombração desde o tempo em que os mouros tomaram o Cariri, vindos dos lados de Sevilha e Granada. Esse fantasma, murmurou, aparecia na forma de um cavalo sem cabeça, mas com orelhas, botando fogo pelas fuças, perseguido por seis cães, que latiam e lançavam uivos terríveis.

— Você já o viu? – Perguntei.

— Não, graças a Deus, não! Mas, meu avô, amigo do alfaiate, conheceu muitas pessoas lá em Patos que toparam com ele. Antigamente aparecia com mais frequência do que agora, sob uma ou outra forma. Todos em Cajazeiras e Patos já ouviram falar do Orelhudo e as avós assustavam as crianças chamando por ele quando os meninos faziam o malfeito. Diziam os mais velhos que era a alma sofrida de um cruel rei mouro, que matou seus seis filhos e os enterrou por aqui.

Abstenho-me de contar os detalhes surpreendentes, na maioria das vezes, simples e pueris, que me deu tio Lucas sobre este respeitável fantasma e sobre a Cruz que ele dissera ser cópia da que existiu em Granada, à porta onde Boabdil, também conhecido como al-Zugabi (“O desafortunado”), veio a entregar sua cidade aos Reis Católicos.

Andando, cursávamos agora uma área bem arborizada, ouvindo dois ou três nambus lançarem ao ar trinados pouco harmoniosos. No meio do arvoredo, algumas cisternas estilo mourisco e uma porta cortada no coração da rocha, mas obstruída naquele momento. Ali havia alguns açudes que, contou meu tio, eram os favoritos dele e de seus companheiros de infância, mesmo eles sabendo da história do hediondo Zanatas, que costumava sair pela porta da rocha para levar para o Hades banhistas incautos, que por ali se atreviam a tomar banho.

Maravilhosos arvoredos, semelhantes aos do Generalife, ficavam para trás enquanto continuávamos nosso pisar, descendo por uma trilha solitária e chegando ao campo sem fim, triste e melancólico, desnudo de árvores e pontilhado pela caatinga. Tudo o que se via era estéril e quase impossível de se conceber que, a uma curta distância de onde estávamos, existissem pomares floridos. Esse é o clima da Borborema: selvagem e duro, mas onde a seca e o jardim convivem, dizia tio Lucas, feito o amor e o desamor: sempre atrelados um ao outro.

Tropeiros

Na Caatinga, tio Lucas ficava sempre mais animado. Aproveitei para saber um pouco mais sobre o assassinado. Ele, como que desconversou, começando a falar do tempo em que ganhava a vida como tropeiro, tangendo burros de carga entre Cajazeiras, Patos e Campina Grande. Andávamos e ele falava dos bons tempos em que se percorria o sertão a casco de burro. Eu, calado, esperava. Talvez saísse alguma coisa sobre o homicídio.

— Ganhava-se com as coisas naturais do sertão e o convívio com sua boa gente. Aquela nossa maneira de viajar, levando mercadorias em costas de animais, era testemunha de muita hospitalidade. Havia, quase sempre, confiança entre os viajantes e os senhores das terras e, à noite, cada um podia dirigir-se ao castelo mais próximo, certo de bom acolhimento. Dormia-se a bom dormir, após a caminhada diária de cinco a seis léguas, no passo miúdo das mulas seleiras, depois da ceia muito rica, onde nunca faltava carne de sol assada, farofa e queijo de coalho.

Tocando aqui e ali com a bengala de ébano moçambicano, finamente trabalhada, que sempre portava, aduzia:

— Mas também tinha espíritos-de-porco, como bem avisava Pedro Malasarte. Lembro de uma certa vez em que levava uma tropa no rumo de Floresta Nova, junto com um amarelinho, que havia tomado como sócio nessa expedição, cearense, por nome Raimundo Nonato, que me fora apresentado por um amigo cigano. Caía a noite e pedimos guarida em um castelo à beira da estrada, de muitas janelas e, também, de muitas seteiras, com um grande aprisco ao lado. Fomos atendidos. O capataz nos ajudou com os burros na estrebaria, mostrou onde dormir e nos levou para jantar. Na rica mesa, além de nós, um caixeiro-viajante e mais três tropeiros, dos quais um eu conhecia de vista. Foi aí que apareceu toda a maldade do barão e da sua consorte: pois, quando estávamos de colher na mão, prontos para nos deliciar com tantas iguarias, eis que se ergue o barão, que estava à cabeceira com a mulher, muito bem vestida, com uma mantilha de cetim aleonado forrada de tela de prata, e recita em tom peremptório:

— Estou feito e satisfeito, eu e minha mulher! E, assim, há de fazer, quem vergonha tiver!

Olhamos uns para os outros. Todos sertanejos fortes e de muita vergonha. E quando estávamos nos levantando, dispostos a ir dormir com fome, mas a dignidade preservada, o cearense amarelinho, baixinho, que só tinha cabeça, Raimundo Nonato, ainda sentado e de prato cheio, formando como que um cálculo, respondeu alto e esganiçado:

— Nem deixo o prato, nem arreio a colher! Como o que aqui está e mais o que vier!

O barão embasbacado, puxou a baronesa pelo braço e, balançando, como se tivesse tomado todas, desapareceu da sala. Comemos muito bem, do bom e do melhor. Dali, nunca esqueci um excelente rubacão de arroz-vermelho e um divino licor de jabuticaba, de Bananeiras, do Brejo paraibano. Enquanto ceávamos, um jovem copeiro nos explicou que o seu senhor era useiro e vezeiro nesse artifício. Quando os hóspedes saiam da sala para ir dormir com fome, ele voltava com a baronesa e se esbaldavam sozinhos na janta. Soube, tempos depois, que o barão de Floresta Nova tinha ficado, de tal modo, impressionado com o amarelinho, que lhe tinha dado a filha mais nova Isabelle em casamento, com um dote de cinquenta e uma cabras leiteiras.

Acordava-se, na maioria das vezes, tiritando de frio, naquele deleitoso Cariri, de planuras e serrotas elevadas pelos 600 metros sobre o nível do mar, esperando-se, ainda, na rede ancorada ao espeque da alpendrada, que o arrieiro aprontasse a fumegante chaleira de café. Enquanto isso, a burralhada da tropa mastigava o rijo milho sertanejo, que enchia os embornais.

Era, dizia meu tio, como viajavam senhoras, homens e senhoritas, figurões do comércio e da política, monsenhores, poetas e estudantes.

— Seu pai, eu me lembro, veio criança de Patos para Campina desse jeito. No lombo de uma mula, dentro de um caçoá equilibrado por uma saca de farinha de mandioca. Engana-se, porém, quem pensar que as noites naqueles ermos corriam silenciosas. Vozes mil de corujas, bacuraus, tetéus, caborés, mães-da-lua acompanhavam-nos pela estrada, quando à noite viajávamos à suave luz do luar, ou quando, cansados, dormíamos.

O caminho estreito, que agora trilhávamos, chamava-se, falou Tio Lucas, Barranco Tisnado, porque no passado ali havia sido escondida uma sacola de couro de cabra com mais de 50 moedas de ouro e prata e um estranho monograma de letras e números, que tinha sido queimada em uma disputa com cangaceiros. Sobre essa sacola quem mais sabia eram os ciganos, que viviam nas cavernas das encostas da Borborema. Para meu tio, homens de bem, incapazes de fazer o mal a quem quer que seja. Muito menos a um tropeiro.

— Mas, um dos que viu o almocreve ser chacinado, morreu no mesmo dia, 28 de julho de 1938, em Poço Redondo, no sertão de Sergipe. Eu estava lá.

Zoraya

Aguardei mais. Ele, pensativo, fechou-se. Continuamos o caminho em silêncio, até o topo do penhasco, deixando para trás a Cadeira do Diabo, para onde teria fugido o infeliz Boabdil, enfeitiçado por Isabelle de Solis cristã, que havia sido feita prisioneira e depois converteu-se ao Islã com o nome de Zoraya, quando lhe fez uma declaração, que meu tio sabia de cor e recitou enquanto andávamos:

Zoraya!

Quando te vi, me apaixonei, padeci de coisa patente, senti o que nunca pensei, n’alma, no corpo, na mente. Pareceu uma mundrunga, talvez mesmo, bruxaria. Sortilégio, feito macumba, bagata, bozó, feitiçaria. De pai-de-santo, despacho; da parte de bruxa, mandraca.

Na certa, mandinga sacaca, coisa-feita de yara-macho. Trabalho sob’encomenda, braba e velha traquinice, com fungu de preta-renda; mais mocó que mandraquice.

Ei de fugir desse bruxedo, do mundo paranormal, com força libidinal perder do malfeito o medo, tomar energia primal (antes engano que ledo) e, com o milagre do sal, lavar do caborje o azedo, destruir a preta mandê, em Alhandra não mais ir, de fantasmas passar a rir: pra pensar só em você!

Chegamos, finalmente, àquela parte mais alta da serra. Ao cair da noite, o sol dourava os pontos mais elevados da paisagem. Aqui e ali podia ser visto um ou outro vivente tangendo burramas cansadas, acelerando a caminhada para chegar às portas da cidade antes do anoitecer.

De repente, o grave som de um sino (ou teria sido um longínquo trovão?), veio através dos campos e vales, proclamando a hora da Oração. O toque foi glorificado pelas arribaçãs nos galhos mais altos das algarobas. Tio Lucas, ao pé da colina, tirou o chapéu enfeitado de espelhos e ficou por um momento imóvel, rezando contrito a oração vespertina, prestando homenagem e agradecendo a Deus pelas misericórdias do dia. Parecia que alguma santidade, momentaneamente entre nós, irmanava-se ao espetáculo do sol afundando esplendidamente no horizonte, numa majestosa solenidade. Na ocasião, o efeito foi mais surpreendente por conta do aspecto selvagem e solitário do local. Estávamos em um planalto nu e agreste, com ruínas que falavam de antigas gentes. Enquanto andava por entre os entulhos, meu Tio apontou com sua bengala um buraco circular que parecia penetrar no coração do morro. Era, sem dúvida, uma cisterna profunda, aberta pelos incansáveis ​​mouros para tirar e preservar seu elemento de maior valor com a mais possível pureza. Tio Lucas saiu do seu mutismo e me segredou que, na verdade, o buraco era a entrada oculta para as cavernas subterrâneas da Serra, onde Boabdil e sua corte se esconderam dos espanhóis e dos mouros.

O crepúsculo neste clima é de curta duração e nos avisou que era hora de deixarmos esse rincão maravilhoso. Quando descemos as encostas já não se via muita coisa. Sobrava só o chilrear dos nossos próprios passos. As sombras do vale se tornaram mais densas, até que, de repente, tudo escureceu ao nosso redor. No céu, um vago brilho da luz do dia; os altos da Borborema, como que cobertos de neve, brilhavam no azul do firmamento, e parecia que estavam bem perto de nós, dada a extrema pureza do ar.

— Quão perto a Serra está! Parece que pode ser tocada com a mão e, no entanto, fica a léguas daqui!

Enquanto meu tio falava, uma estrela apareceu no céu. Tão pura, grande, brilhante e bonita, que o fez exclamar num transporte de alegria: “ó que linda estrela! Tão clara e limpa! Pode haver outra mais brilhante?”

Notei várias vezes essa sensibilidade do sertanejo para com os encantos das coisas naturais. O fulgor de uma estrela, a beleza e a fragrância de uma flor, a corrente cristalina de uma fonte, inspiravam uma espécie de alegria poética; e então, frases mais que bonitas falavam, numa linguagem magnífica, seus transportes de alegria.

— Mas que luzes são essas, Tio Lucas, que vejo coruscar por todo arredor? Pareceriam estrelas se não fossem vermelhas e não brilhassem nas saias da Borborema!

— Aquelas, meu filho, são as fogueiras que iluminavam os caminhos de Granada. Os almocreves, com suas mulas, iam até a Serra todas as tardes e se revezavam, alguns descansando, aquecendo-se nas fogueiras; outros enchiam os matulões de neve. Depois, desciam e chegavam aos portões de Patos, antes do amanhecer. A Borborema, meu filho, é uma montanha de gelo colocada no meio da terra para que a Paraíba sempre fique fresca durante o verão.

Procissões

Estava completamente escuro e voltamos atravessando a garganta, onde restava a cruz do tropeiro assassinado. À distância, lusco-fuscos se moviam. Mais perto, deu para perceber que eram tochas carregadas por um cortejo de estranhas figuras vestidas de preto. Parecia uma procissão horrivelmente sombria na crueza e solidão do lugar. Tio Lucas se aproximou de mim e disse, em voz baixa, que aquilo era um enterro: estavam carregando o cadáver do tropeiro assassinado para o Santo Amaro. É hoje! Meu coração começou a bater mais forte. Um mistério está para ser revelado, pensei. À medida que a procissão lentamente passava, os reflexos tristes das tochas iluminavam as feições sombrias e as vestes funestas dos acompanhantes e das carpideiras. O efeito era tenebroso; mas, foi ainda mais arrepiador quando o rosto do cadáver —de olhos abertos— foi banhado em luz, pois, segundo o costume espanhol, estava descoberto e via a cara do seu assassino. Permaneci por muito tempo apático, apalermado, seguindo com os olhos o préstito subindo pela Serra, tal qual outra comitiva de demônios levara um dia o corpo de um pecador para ser enterrado na cratera do Stromboli.

— Ah, meu filho! Exclamou tio Lucas. —Eu poderia lhe falar de uma procissão parecida que vi nessas serras, mas você iria rir de mim, pois dizem que é só mais uma das histórias que seu avô Bráulio herdou do alfaiate.

— Não, meu tio, conte, porque não há nada que mais me interesse do que suas histórias admiráveis (Era agora!).

— Bem, meu filho, você sabe que, há muitos anos, no tempo dos Reis a das Rainhas, havia em Patos um velho lorde da Pedra do Reino chamado Pedro Sánchez Pérez-Castejón, conhecido por todos como Mestre Pedro. Pois bem, certa vez retornava ele de Patos para a Rainha da Borborema, já era noite, quando terminou por adormecer na sela, balançando a cabeça para lá e para cá, deixando a mula seguir sozinha, pelas beiradas de precipícios, subindo encostas e descendo escarpadas ravinas. Depois de algum tempo, Mestre Pedro acordou, olhou para trás e ficou surpreso e espantado… E, de fato, havia motivo para isso! Porque, ao belo luar, que brilhava como o dia, viu perfeitamente Patos lá embaixo, com seus edifícios brancos como uma xícara de prata à luz da estrela da noite. Mas, por Deus, meu filho, não se parecia em nada com a cidade que ele havia deixado algumas horas antes! Em vez da igreja, com a sua cúpula e torre, o convento com suas escadarias, tudo encimado com a Santa Cruz, o que ele divisava eram mesquitas, minaretes e cúpulas adornadas por crescentes brilhantes, como são vistos nas bandeiras bérberes. Enquanto estava abestado, olhando para aquela impossível cidade, um extraordinário cortejo subiu a Serra. Eram soldados de infantaria e cavalaria, armados à moda mourisca. Mestre Pedro tentou sair do caminho, mas sua mula velha empancou e se recusou a dar um passo. Parado, tremendo, ele viu a comitiva fantástica passando por eles. Entre os guerreiros, alguns aparentemente tocando trombetas, e outros, tambores e címbalos. Nenhum som era ouvido, todos marchavam sem fazer o menor estalido, rostos pálidos como o de Abaddon. À frente, entre dois mouros negros a cavalo, o Grande Inquisidor de Granada em uma enorme mula branca como a neve. Mestre Pedro sabia que o Cardeal era famoso por seu ódio aos mouros e a todos os tipos de infiéis, judeus, hereges e cangaceiros, que perseguia a sangue e a fogo. Na presença da autoridade católica, sentiu-se seguro. Fazendo o sinal da cruz, pediu sua bênção. Em resposta, sentiu um chicote golpeando-lhe a cabeça. Ele e sua mula caíram no fundo de uma loca, rolando algumas vezes de ponta-cabeça e outras tantas de pé. Enquanto rodopiava, passou pela mente do Mestre que havia voltado ao sertão de Sergipe: era noite, chovia muito. Ele e os compartes em barracas. Viu quando se levantarem pela manhã para rezar o ofício e preparar o café. Mas, quando deram por conta, já era tarde. O ataque durou cerca de vinte minutos e poucos conseguiram escapar ao cerco e à morte. Dos trinta e quatro presentes, onze acabaram ali mesmo. Outros foram presos. Ele e mais três conseguiram escapar. No sonho, os volantes, eufóricos com o sucesso da empreitada, tomaram conta dos bens do bando e mutilaram os mortos. Levantou-se no fundo da ravina e ainda deu para ver, no fim do desfile, em uma leva de acorrentados, Colchete e Macela, Quinta-Feira, Mergulhão, Luís Pedro, Elétrico, Enedina, Moeda, Alecrim e Raimundo Nonato.

— Então, tio Lucas, isto aqui está mais para uma espécie de limbo mourisco? No meio dessas serras, para onde o Padre Inquisidor foi levado?

— Não, pelo amor de Deus, meu filho! Eu não sei nada sobre isso. Eu só conto o que ouvi do seu bisavô, marido de Zoraya.

*Fernando Gusmão é engenheiro, administrador de empresas, poeta, contista, cronista, ensaísta.

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