Lixo Extraordinário

 O Grupo Arte e Psicanálise, coordenado por Everaldo Soares Júnior,  fechou  o ano de 2011 com o documentário, premiado,  LIXO EXTRAORDINÁRIO. A direção é de dois brasileiros João Jardim e Karen Harley e da britânica Lucy Walfer.
Trata-se do registro da experiência do artista brasileiro VIK MUNIZ no aterro Sanitário Jardim Gramacho em Duque de Caxias, RJ, que recebe mais de 70% dos dejetos da capital fluminense.
 Waste Land – Lixo Extraordinário foi finalista do Oscar concorrendo na categoria de Melhor Documentário em 2011. Antes foi diversas vezes premiado em festivais internacionais:

Sundance 2010 – Prêmio do público de Melhor Documentário Internacional.

Festival de Berlim 2010 – Prêmio da Anistia Intenacional
                                           Prêmio do Público de Melhor documentário – Mostra
                                            Panorâmica.

Hot Docs ( Canadá) 2010) – Entre os dez favoritos do público

E ainda mais três prêmios em festivais dentro dos Estados Unidos.

 ViK Muniz  é conhecido como um artista que trabalha com materiais inusitados, do diamante ao lixo, e até com alimentos e outros materiais orgânicos. O documentário foi filmado ao longo de dois anos e nos traz o processo vivido pelo Artista desde o momento da decisão de trabalhar no aterro, enfrentando riscos de saúde, até suas dúvidas filosóficas diante do projeto, mas evidencia, sobretudo, uma determinação de empreender algo que nem ele sabia ao certo onde ia dar, mas que devia ir em frente.
O artista aproximou-se da comunidade através de seus representantes. Esta aproximação, como se vê no filme, foi feita cuidadosamente. Expôs sua ideia e aos poucos ganhou a confiança de alguns. VIK encontrou uma comunidade bem humorada e receptiva. Não foi difícil envolvê-los num projeto de recuperação da autoestima .O projeto criaria uma nova imagem dos catadores  para a sociedade como também  traria a possibilidade concreta de retorno financeiro através da venda dos trabalhos.

 Fica evidente no documentário que algumas ideias para a realização das fotos surgiram do convívio e da troca entre Vick e alguns catadores. Há uma escuta que é valorizada. VIK fotografou incansavelmente todo o ambiente e fixou-se em alguns personagens que espontaneamente foram se envolvendo no processo, como Tião, Zumbi, Walter, Suellem, Isis, Irmã e Magda.

 A ideia principal consistiu em reproduzir com eles cenas de quadros famosos e compor essas imagens com material reciclável, (sucatas, tampinhas, destroços de fantasias de carnaval, sapatos, garrafas etc). Em seguida, tentar vender num leilão em Londres  um desses trabalhos que além de ter um deles como modelo fosse  resultado do esforço dos que trabalharam incansavelmente sobre os grande painéis projetados no chão para compor obras que estavam transformando suas vidas.

 VIK  teve o cuidado de prepará-los para entender o que se passava e para viver o momento transcendente  em que já não se vê mais lixo, mas beleza, o milagre da arte.
O sucesso foi alcançado. A obra que foi levada e vendida num leilão em Londres retratava Tião, (Sebastião Carlos Santos) numa pose semelhante ao quadro A morte de Marat (1793), do francês Jacques-Louis David. O valor alcançado chegou a cem mil reais . Tião estava em Londres, no Leilão, e trouxe com ele o dinheiro para seus projetos
na associação que dirigia.Todos comemoraram.

 Logo depois, uma exposição no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro mostrou todo o trabalho ao público brasileiro. Naquela noite, Magda, Irmã, Zumbi, Tião, Suellem, Isis, foram assediados pela imprensa e pelo público. Tudo estava começando.
 Dali em diante nada poderia ser como antes. Aquelas pessoas, ocupadas com o que de menor existe na sociedade que é catar lixo foram arremessadas para mais além pela força do desejo humano do reconhecimento do outro tendo a arte como estratégia.
Ao final, se é que há final, todos estavam transformados:
 – o lixo, em ARTE;
 – os catadores, em ARTISTAS com novas perspectivas;
 – o Artista, num ser humano admirável e cheio de interrogações;
 – finalmente, a platéia do documentário, desta feita, nós, aqui do Traço.

Júnior pensou até em abandonar nosso grupo das quartas feiras e retomar trabalhos que fez em sua juventude. Impossível ficar indiferente diante dos depoimentos de pessoas tão sensíveis; impossível não se comover testemunhando uma experiência tão definitiva para a vida de algumas pessoas e posteriormente para  a história de toda uma comunidade.

 Que seria do mundo sem a arte?

                                                                    Adília Morais

 AMOSTRA DOS TRABALHOS:

 

 

 

 

 

 

4 ideias sobre “Lixo Extraordinário

  1. Isso q esta sendo feito éh mt legal, por que pessoas pobres, catadores de lixão, estão sendo reconhecidas e admiradas pelas pessoas, o lixo q tanto poluía nossa cidade estava sendo transformado em arte, belas artes!

  2. Muito interessante e lindo mesmo, e além de uma grande obra de arte, o grande reconhecimento com esse humanos q fazem é ajudar o meio ambiente, imaginem se não houvessem esses catadores? como seria os lixões? humanidade é para poucos e o q esse fotografo, dinheiro no mundo nao paga a felicidade dessas pessoas… além de guardar esse momento pro resto da vida!!! … Parabéns assistir o filme e me emocionei muito…!

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