O Cheiro de Maresia

Quando o cheiro de maresia começa a penetrar a alma do navegante é tempo de içar  as velas e voltar ao mar. Assim, enlevados pelo cheiro que a brisa do mar nos trazia, partimos do Porto-Traço, mais uma vez, seguindo as pegadas da Literatura. Nas mãos, um desenho, inicial, de roteiro para a nossa viagem, que apresentaremos aqui, após um pouco de poesia com Sophia de Mello Breyner e Eugênio Montale.

Por sugestão de Adelaide, que não esteve presente no dia da partida, mas se fez presente através do poema trazido por Anita de  Eugênio Montale, poeta italiano, nascido em Gênova.

Os limões 

Escuta-me,
os poetas laureados
circulam apenas entre plantas
de nomes pouco usados: buxeiros alienas ou acantos.

Eu, por mim, amo os caminhos que levam às valas
ervosas onde em lamaçais
já meio secos meninos apanham
alguma pequena enguia:
as trilhas que bordejam os taludes
descem por entre os tufos de caniços
e se metem nas hortas, entre os pés de limão.

Melhor se as algazarras dos pássaros
se dissipam engolidas pelo azul:
mais claro se escuta o sussurro
dos galhos amigos no ar que mal se move,
e os sensos deste cheiro
que não se larga da terra
e chove em peito uma doçura inquieta.

Aqui das desencontradas paixões
por milagre cala-se a guerra,
aqui toca até a nós, pobres, a nossa parcela de riqueza
e é o cheiro dos limões.

Vê, neste silêncio no qual as coisas
se entregam e parecem prestes
a trair o seu último segredo,
às vezes esperamos
descobrir um defeito da Natureza,
o ponto morto do mundo, o elo que não prende,
o fio a desenredar que enfim nos leve
no meio duma verdade.

O olhar perscruta em volta,
a mente indaga concerta desune
no perfume que se espalha
quando o dia mais enlanguesce.

São os silêncios em que se vê
em cada sombra humana que se afasta
alguma Divindade surpreendida.

 

PROGRAMAÇÃO 2018

Nas pegadas da Literatura

 

Momento Poético
· Leitura de poema, breve biografia do poeta escolhido por um viageiro/viageira.
· Operacionalização: Será realizado quinzenalmente, ocupando o tempo máximo de 30 minutos.

Leitura e Análise Crítica
Formas breves ou Romances.
· Leitura Empírica (Close Reading) da obra integral, analisando estrutura, técnicas, enredo, estilo, personagens, espaço e tempo narrativos. Interfaces.
Operacionalização: Leitura do romance A paixão, segundo G.H. Antes de cada leitura na Oficina, os capítulos deverão ser lidos antes, e a coordenação deverá enviar esquema facilitador da discussão.

Escrita ficcional, resenhas, ensaios
· contos, a partir de algum estímulo ou não;
· resenhas ou ensaios baseados em obras ficcionais, teorias ou movimentos literários.

Estrutura Teórica

· História da Literatura – a partir dos estilos literários, como expressões dos fatores sociais modificáveis, e das qualidades humanas permanentes. Os critérios da exposição historiográfica, são, portanto, estilísticos e sociológicos. (Carpeaux)
Operacionalização: Divididos os tópicos entre os participantes, que farão a análise e apresentarão os resultados sob a forma de resenha ou ensaio para a Oficina. Cada um ficou responsável por um período.

o A Herança (gregos, romanos)- Lourdes
o O Mundo Cristão – Cacilda/Eleta/Luzia
o A Transição – Adelaide
o Renascença e Reforma – Salete
o Barroco e Classicismo – Salomé
o Ilustração e Barroco – Ana Amâncio
o O Romantismo – Paulo Tadeu
o Época da Classe Média – Graça
o Fin de siècle e depois – Mitá
o Literatura e Realidade – Sarmento

· Teoria Literária
o O Escritor e seus Fantasmas – Ernesto Sabato
o Seis Passeios pelo Bosque da Ficção – Umberto Eco
· Técnicas Literárias
o Fluxo de Consciência – Robert Humphrey

Publicações – eletrônicas (livros, blog)
· Eletrônicas e em papel pela Amazon.com – Escrituras I, II e III – IV
· Postagens do Blog – seleção – publicação Amazon.com
· Alimentação do blog
· Escrituras V

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

16 − doze =