O Fim

 

 RESENHA DO CONTO O FIM

                                                                         César Garcia

O breve conto O FIM, de Jorge Luis Borges, lido em nossa oficina, já foi bastante estudado como se pode ver em  páginas argentinas da Internet. O cenário compõe-se de uma venda situada numa imensa planície cujo proprietário (Recabarren) sofreu um AVC e tem um lado do corpo paralisado. Está deitado e vê quase tudo o que se passa dentro e fora da venda. Há um narrador que na metade do conto cede a palavra aos personagens e no final a retoma. Venda é a tradução dada por Carlos Nejar, no livro FICÇÕES, para a palavra pulperia, em espanhol, termo de  origem sobre a qual não há consenso. Pulpo significa polvo, mas esses estabelecimentos típicos em praticamente toda a América hispânica estavam longe de ser vendedores de polvos. Vendiam um pouco de tudo, particularmente bebidas e alguns alimentos. A palavra caiu em desuso, substituída hoje por outras mais comuns. Aí aconteciam com freqüência as payadas, correspondentes ao nosso desafio, improviso.

No conto, um negro toca violão e espera alguém durante dias para um acerto de contas que é a cena principal. Seu adversário, que vai morrer varado por um facão, é ninguém menos que Martin Fierro, personagem do poema épico do poeta argentino José Hernández. Isto se sabe pelas palavras do próprio Borges: “Fuera de un personaje – Recabarren – cuya inmovilidad y pasividad sirven de contraste, nada o casi nada es invención mía en el decurso breve de [El fin]; todo lo que hay en él está implícito en un libro famoso y yo he sido el primero en desentrañarlo o, por lo menos, en declararlo.”

Borges cria um novo final para o poema com a morte de Martin Fierro que, na versão original, chega a uma conciliação com seu adversário: “Podemos imaginar una pelea más allá del poema, en la que el moreno venga la muerte de su hermano” .

 

“Não criei personagens. Tudo o que escrevo é autobiográfico. Porém, não expresso minhas emoções diretamente, mas por meio de fábulas e símbolos. Nunca fiz confissões. Mas cada página que escrevi teve origem em minha emoção”

(Jorge Luís Borges)

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