O Padre e a Moça

Quarta-feira – 4/4/2012 –  10 horas em ponto!

Local : Traco Freudiano Veredas Lacanianas Escola de Psicanálise

Promoção: Grupo de  Psicanálise e Arte

 

Recortes, realizados por Adelaide Câmara, dos comentários de Rogério Sganzerla (São Paulo, março-abril 1966 – Artes) sobre o filme O Padre e a Moça
 O PADRE E A MOÇA: um filme distante e ao mesmo tempo íntimo.Por isso, misterioso. Nada de suspense ou emoção diante de uma estória romântica. Somente dolorosa reflexão sobre a velha estória de amor impossível. O autor retira toda possibilidade de identificação com os personagens. Não só com os personagens, mas com este “tipo” de cinema: sabemos de antemão o que vai acontecer em cada cena. O espectador se desespera porque Joaquim filma o cotidiano terrível de uma cidade do interior de Minas. Tudo que a gente não gosta de ver na tela: o filme é impiedoso e caracteriza-se por um sábio distanciamento diante do mundo.

 Tudo pensado, trabalhado: as longas tomadas, a falta de ação, os silêncios intermináveis, enfim, a fossa que corrói toda a obra, combinam-se perfeitamente “numa grandeza artística que nasce da humildade”, conforme disse Glauber Rocha num excelente artigo em O JORNAL DO BRASIL. Que continua: “impõe-se o ato de revê-lo e repensá-lo: ali a tristeza brasileira, o esquecimento (…) tudo isso criado não pelo discurso moralizante mas pela dialética do homem contra décor; aqui, movimentando dois excelentes atores contra o testemunho histórico da decadência (a cidade e as serras), Joaquim Pedro aciona um canto livre do amor, um amor que se faz da tortura e da impotência, da negação e do silêncio”.

 O PADRE E A MOÇA está inteiramente mergulhado na tradição da arte mineira. Isto é, barroca. Não só pelas ligações com o poema de Drummond. Mas por tudo: a lentidão, uma obcecada descrição dos ambientes, a atitude contemplativa do autor diante de um mundo decadente. Por uma clareza do estilo que leva ao mistério e principalmente por certa incompreensibilidade.

 25 milhões em duas semanas no Rio e os mais violentos bate-bocas: “absoluto fracasso”, “besteirada hermética”, “chateação” e ainda, “lindo”, “cem vezes superior a Antonioni!”, “melhor do que o poema de Drummond” (que inspirou Joaquim).

 

 Aviso Importante de Adelaide Câmara: Cuidado com a mula sem cabeça!!!

Sinopse

A chegada de um jovem padre sacode o imobilismo de uma pacata cidadezinha de Minas Gerais. Entre o padre e uma bela jovem da cidade surge uma atração, de início casta, e que se transforma em paixão ardente. ENFIM, UM FILME POLÊMICO.

Elenco

  •  Helena Ignez…. Mariana
  •  Paulo José…. padre
  •   Mário Lago…. Fortunato
  •  Fauzi Arap…. Vitorino
  •  Rosa Sandrini

Prêmios e indicações

Instituto Nacional do Cinema (INC) 1966 (Brasil)

  •  Recebeu o Prêmio de Qualidade.

Festival de Berlim 1966 (Alemanha)

  •  O filme foi indicado ao Urso de Ouro.

Festival de Brasília 1966 (Brasil)

  •  Recebeu o Troféu Candango de Ouro nas categorias de Melhor Atriz (Helena Ignez) e de Melhor Fotografia.

 

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