Primavera e temperos

A nossa colega Salete sempre está nos trazendo seus escritos poéticos. Alguns que ela descobre quase por acaso nas andanças pelas suas memórias e gavetas; outros que surgem provocados pela sua aguçada sensibilidade aos sons, aos cheiros, às imagens. É um prazer, sempre, compartilhá-los.

Aqui estão:


2015-09-20_22.59.34 (1)

                               Quietude & tempero

                                                                        *Salete Oliveira

Quietude… Onde?
Na mão na caneta
No sexo no corte
No ego na culpa
Na mente no amor
Na emoção na tristeza
Na raiva na dor
No lavor na candura
No silêncio na noite
Na praça na casa
No uísque na pizza
Na lua crescente sol poente
No dia ao que agoniza
Na noite ao que nasce.
Às pimentas e às mostardas 
Uma pausa.
Que é, tudo?
Sal Azeite Pão
Comunhão
É o tu/do nada                     
Começar conhecer
Esse poço sem fundo
De pedras ou lama, 
trama qui é tu de (tem pe ro) .(final)?

 
 

Incomensurável instante

                                                             Salete Oliveira

20 de setembro,

amanhã 21, dia da árvore,
que pena…
só um dia no ano para ser dedicado às árvores
que nos dão tanto, flores, frutos, sombra, móveis, fogo,,  p
cores, casa, sementes, doces, cura,lições a cada estação,
calma e clareza…

dia 22, dia dos amantes…
quem inventou isso?
amantes querem
imensos dias inteiros para si,

24 horas sempre é pouco
para se deleitar ou curtir ou mesmo sonhar
com um encontro e rememorar os instantes
em que estiveram juntos…
curtir cada linha do rosto,
curva do corpo, reviravoltas do ser,
gravar a imagem nas retinas, e
em mil arquivos do coração,
bilhões de células, gotas de suor…

24 horas sempre é pouco
para se deleitar ou curtir ou mesmo sonhar
com um encontro e rememorar
os instantes em que estiveram juntos…
curtir cada linha do rosto,
curva do corpo, reviravoltas do ser,
gravar a imagem nas retinas, e
em mil arquivos do coração,
bilhões de células, gotas de suor…

24 horas sempre é pouco
para se deleitar ou curtir ou mesmo sonhar
com um encontro e rememorar
os instantes em que estiveram juntos…
curtir cada linha do rosto,
curva do corpo, reviravoltas do ser,
gravar a imagem nas retinas,
e em mil arquivos do coração,
bilhões de células, gotas de suor…

24 horas sempre é pouco
para se deleitar ou curtir ou mesmo sonhar
com um encontro e rememorar os instantes em que estiveram juntos…
curtir cada linha do rosto,
curva do corpo, reviravoltas do ser,
gravar a imagem nas retinas, em mil arquivos do coração,
bilhões de células, gotas de suor…

dia 23, chega a primavera
oficialmente marcada no calendário,
como só dia 23?
se dela já estamos inebriados e por ela possuídos?
árvores, amantes,
todos explodem em flores e exuberãncia,
intensidade de viver e existir,
um segundo, um instante, vale tanto,
um olhar,
um carinho,
o vento no rosto,
o cheiro de terra molhada, de sol
que queima a pele,
o cantar dos pássaros,
o colorido das flores,
e cheiros, e frutos minúsculos a se formar…
é primavera,
todos os dias,

novas flores, novos odores, novas cores, novos amores,
sem tempo marcado
disso ou daquilo,
apenas um suspiro a marcar
a mudança do incomensurável instante.

** Maria Salete Oliveira – engenheira química, poeta, cronista, ficcionista

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

20 − dezessete =