REFLEXOS SOBRE O OUTRO INVISÍVEL – COMENTÁRIO

 

COMENTÁRIO SOBRE O TEXTO REFLEXOS SOBRE O OUTRO INVISÍVEL  DE EVERALDO SOARES JÚNIOR REALIZADO PELA PSICANALISTA MARIA TEODORA DE BARROS OLIVEIRA ,  MEMBRO EFETIVO DO TRAÇO, ANALISTA MEMBRO DA ESCOLA.

 

Oi, Júnior.

Que bom já ter lido este texto. Lemos juntos, na oficina, no pouco tempo que passei por lá.

A literatura nos traz coisas fantásticas, grandes e penosas revelações do que se passa no íntimo de algumas pessoas.

 Mas vamos lá. O relato está na medida. O texto parece que tem algo a ver mesmo com o conto de Machado de Assis, quando escreveu sobre o Alferes.  É O Alienista? Pensei que fosse O Espelho. Mas o Espelho é de Guimarães Rosa, né? Bem, me fez pensar na ausência do outro constituindo o Alferes e seu desaparecimento.

 Há uma pergunta que faço no trecho abaixo:

 A frágil estrutura desenodada leva o imaginário solto da linguagem a ocupar o Real do sujeito. Palavra limite que configura o espaço Real da letra, passagem para a linguagem, sujeito falante, mas o nosso narrador personagem não teria tido essa sorte no seu caminho. Essa palavra tão preciosa diria: É você e não o outro! O reconhecimento seria feito.

No meu entendimento, seria o contrário, esse desenodamento levaria o Real a invadir o Imaginário, aí essa angústia da invasão do Outro, sem medida, avassalador. Você mostra a falha no estádio do espelho, então, uma falha na estruturação do eu, faltando mesmo um outro a dizer ” É você e não o outro”. Nesse corte do outro, ele se constituiria, penso, já que no momento do júbilo diante de sua imagem, não mais fragmentada, já se formaria um pré-simbólico. Será?

É um bom e bonito trabalho. Fiquei pensando agora no caso Roberto, do seminário I de Lacan, aquele do O lobo, e no movimento da constituição do seu eu. Lacan vai dizer, se estou lembrada, que ele não chegou a ser esquizofrênico, ficou aquém. A falta do outro em sua vida, a angústia que o tomava, e os primeiros momentos onde pode se nomear Roberto.

Bem, Júnior, parabéns pelo seu trabalho.

 Abraços

Teodora

 

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