Soneto da Separação

Na penúltima quarta-feira a leitura do poema foi feita por Eleta Ladosky que nos levou Vinicius de Moraes com o Soneto da Separação. Desde que esse momento poético na Oficina foi criado, Vinicius já foi levado algumas vezes o que denota claramente como os oficineiros gostam do poetinha.

Soneto de separação

Vinicius de Moraes

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

Eleta fez uma análise do poema tão lírico, chamando a atenção para a beleza das metáforas criadas pelo poeta para expressar a dor de uma separação amorosa. A gravação que Ellis e Tom Jobim fizeram do poema em 1974, deixa bem evidente o drama do casal de amantes que se separa.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

16 + dezoito =