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Para lembrar Paulo Medeiros
Gisella Sette Lopes
Agradeço o convite que me foi feito, pelo Traço Freudiano Veredas Lacanianas, para participar dessa mesa em homenagem a Paulo Medeiros, um colega que partiu.
Lembrar Paulo é lembrar o intelectual decidido, um homem das letras, pesquisador incansável em busca do significado último para onde as palavras o conduziam.
A derradeira vez que nos encontramos foi em dezembro do ano passado, quando no encerramento das atividades da seção Pernambuco, fazíamos uma homenagem a Maria do Carmo Vieira – a nossa Du – inaugurando uma biblioteca com o seu nome. Paulo compareceu e me pediu para ver nosso acervo. Olhando os seminários de Lacan, comentou: “As pessoas acham difícil ler Lacan, eu nunca achei. Desde muito cedo, me acostumei a fazer exegese de textos, e isso me agrada muito”. Ele se referia aos textos bíblicos, e hoje eu me reporto ao extenso trabalho minucioso e muito cuidadoso que empreendeu traduzindo alguns seminários de Lacan.
Lembrar Paulo é lembrar o colega inquieto, querelante e questionador, que no tempo em freqüentávamos a mesma instituição, batalhava tenazmente pela manutenção de um espaço para publicação de nossas produções – da velha guarda como ele costumava nos chamar.
Por isso, para homenageá-lo, nada melhor do que a iniciativa de fazer uma seleção de seus trabalhos organizados numa publicação.
Paulo cumpriu o seu tempo. Longo ou curto é o que é dado a cada um.
Dele nos restou a lembrança e a saudade.
Recife, junho de 2008.
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